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sábado, 23 de março de 2013

Cristianismo Pagão

Título Original: Pagan Christianity?
Autor: Frank Viola e George Barna

"A vida é vivida adiante, mas entendida para trás. Sem compreender os erros do passado, estamos condenados a um futuro imperfeito."

O livro "Cristianismo pagão", de Frank A. Viola, trata-se de uma bombástica revelação acerca das origens das práticas, tradições e doutrinas cristãs. Percorrendo minuciosamente a história da cristandade, desde a igreja primitiva, passando por todas as transformações efetuadas pelo Império Romano e pela Reforma, até o moderno sistema religioso cristão, o autor revela as estarrecedoras origens pagãs das práticas, liturgias e conceitos teológicos do cristianismo.

O foco do livro é desvendar as origens de certas práticas cristãs e como elas foram adicionadas aos ensinos de Jesus ao longo destes dois milênios. Apesar de algumas práticas e crenças serem comuns tanto para o Catolicismo como para o Protestantismo (e suas infindáveis ramificações), o livro concentra-se mais nos costumes destes últimos.

"A experiência provê a dolorosa prova de que as tradições, uma vez engendradas, são primeiramente tidas como úteis, depois consideradas necessárias, até finalmente serem transformadas em ídolos. Todos têm que se curvar diante delas ou haverá punição." - J.C. Ryle.

A obra de Viola é chocante e assustadora, porém simultaneamente reveladora. O ponto chave do livro fala a respeito do distanciamento que a igreja institucionalizada fez de Deus com relação ao cotidiano das pessoas. O culto cristão, na época da igreja primitiva, não passava de "reuniões marcadas pelo funcionamento de cada membro, numa espontânea, livre, vibrante e aberta participação (...) um encontro fluido, imprevisível, não um ritual estático", e ocorriam nas casas e em qualquer lugar do cotidiano.

Não haviam sacerdotes, clero ou pastores assalariados. Haviam "Anciãos", "presbíteros", "pastores" ou "bispos", que são termos sinônimos usados no Novo Testamento e representavam aqueles irmãos mais maduros na fé que auxiliavam os mais novos. Eles não eram centralizadores da revelação divina e nem controlavam a vida dos fiéis. Seus objetivos eram ser facilitadores e não autoridades hierárquicas. A pregação do Evangelho não era um monólogo retórico cheio de argumentos teológicos convincentes, mas era simplesmente diálogos simples e singelos entre todos os irmãos.

As ofertas eram para os pobres ou, circunstancialmente, para alguns enviados itinerantes, já que, naquela época, as pessoas exerciam suas profissões em suas próprias terras e quando viajavam para pregar o Evangelho precisavam ser sustentados pelas ofertas da igreja.

Com a instituição da Igreja Oficial por Constantino aproximadamente no ano 300 d.C., tudo mudou. O ambiente singelo, simples e fluente das casas e lugares públicos passou para os templos pagãos, agora convertidos em templos cristãos. Surge o clero assalariado, como mediadores entre Deus e a igreja, e eram constituído pelos bispos e por sacerdotes pagãos que traziam suas práticas místicas para o cristianismo. As ordenações clericais fizeram calar o povo para que só profissionais da fé assalariados pudessem pregar retóricas teológicas. Estes retóricos (ou Sofistas) eram filósofos que cobravam para elaborar discursos de entretenimento. Assim, com a chegadas deles no clero, a pregação tomou a forma de monólogo que conhecemos hoje, muito diferente dos calorosos diálogos entre todos os irmãos nas igrejas caseiras.

Além disso, é instituído o dízimo, no ano 680 d.C., como um imposto pelo Império/Igreja. Ou seja, nos primeiros 600 anos de existência, a igreja nunca praticou o dízimo.

Do ano 300 d.C até 1500 d.C., a dicotomia "secular x sagrado" e a demonização de tudo o que a igreja determinava como abominável transformaram o cristianismo em uma religião de ascetismo, medo e culpa, que é o oposto de Graça, Amor e Liberdade do Evangelho. Até que surge Martinho Lutero (1483-1546) limpando a "casa", removendo vários erros doutrinários com a instituição da Reforma Protestante. Apesar dos diversos benefícios sociais que os protestantes proporcionaram ao mundo (juntamente com o Iluminismo e a Revolução Francesa) muitas tradições católicas permaneceram no meio evangélico com um formato diferente e novas doutrinas foram sendo adicionadas ao longo dos séculos.

Com a reforma, o clero permaneceu, assim como seu precioso dízimo. O sermão, o púlpito e a Bíblia tornaram-se o centro do culto. Posteriormente, conceitos como "Salvação individual do pecador" e o apelo ao final dos sermões criaram uma idéia exclusivista de salvação somente para aqueles que "aceitam" a Jesus.

No período de fundamentação da Reforma Protestante na Europa, João Calvino (1509-1564), um grande intelectual e teólogo francês, acreditava que a revolução religiosa cristã deveria ser mais radical, dando início ao movimento puritano. Esta linha doutrinária anunciava uma santidade baseada no esforço humano, cheio de regras sobre comida, vestimentas, frequencia ao templo, acepção de pessoas e um monte de "podes" e "não podes" que excluía aqueles que não se adaptavam às Leis estabelecidas.

Com a chegada do movimento pentecostal (por volta do ano 1900), muitas doutrinas novas foram introduzidas nos cultos evangélicos, que passaram a dar maior ênfase em manifestações espirituais externas e visíveis. Porém, o apóstolo Paulo orientava a igreja primitiva a manter a ordem e fazer um culto racional (I Co. 14:40; Rm. 12:1). Também neste movimento, o conceito do "pastor" local como uma autoridade hierárquica inquestionável se intensificou, algo que Jesus nunca aprovaria entre seus discípulos. Posteriormente, ao longo do século XX, espetáculos retóricos e musicais fizeram do culto um show sensacionalista e proselitista.

Conclusão

Em suma, o livro Cristianismo Pagão é essencial para compreender como uma seita simples, absurda e ingênua como o cristianismo primitivo se distanciou de suas origens, se tornou uma aberração moralista e trouxe atrasos significativos para o desenvolvimento racional humano, seja pelo Catolicismo ou pelo Protestantismo.

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E você, sabe as origens de suas práticas religiosas? Comente abaixo o que você pensa acerca destes assuntos!

5 comentários:

  1. Deve ser um livro escrito por algum católico revoltado da vida

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  2. Caro Anônimo,
    os autores do livro não são católicos, mas sim doutores protestantes conceituados e gabaritados em sociologia e história.
    No livro (e na resenha que escrevi) está claro que o protestantismo é filho do catolicismo e carrega todos os seus erros. Assim, ambos, catolicismo e protestantismo, nada mais são do que faces diferentes da mesma moeda.

    Aconselho a ler o livro primeiro, e depois criticar, se for o caso. Caso não queira, então percorra bibliotecas e estude muito história para refutar as constatações do livro acerca das origens das práticas protestantes, que nada tem a ver com a simplicidade do Evangelho de Jesus Cristo.

    Caso não queira, não há problema! Protestante ou não, fique com Jesus e ame ao próximo, pois isso é o que importa nesta vida!

    Deus te abençoe!

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  3. Ler é sempre bom e edificante. Só não podemos aceitar tudo como verdade; por isso:"reter o que bom"
    Os sábios e entendidos, doutores, etc... também não detêm a verdade. Aliás, o próprio Jesus deixou isso muito claro quando disse:"...ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos..." Lc 10.21
    Agora, quando estamos com Cristo,"não entramos em confusão", pois temos o Espírito da verdade. "E Ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. Tudo o que o Pai tem é meu; por isso é que vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar." (João 16.13-15)

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    Respostas
    1. Muito bem colocado! Tudo aquilo que não é simples, não provém do Evangelho!
      Por isso que acredito que foram justamente os "sábios e entendidos" que transformaram a simplicidade de Cristo no sistemão teológico judaico/pagão que a igreja é hoje.

      E acredito que este livro veio justamente para nos levar de volta para aquilo que é simples. Pois qualquer criança ou analfabeto entende o que significa "dois ou três reunidos em meu nome", bem diferente de todas as práticas, liturgias, conceitos e crenças que constituem "igreja" hoje.

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