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segunda-feira, 31 de março de 2014

O Príncipe

Título Original: Il Principe
Autor: Nicolau Maquiavel (1469-1527)

"A crueldade bem empregada - se é lícito falar bem do mal - é aquela que se faz de uma só vez, por necessidade de segurança; depois não se deve perseverar nela, mas convertê-la no máximo de benefícios para os súditos."

Falar de "O Príncipe" de Maquiavel é entrar em um campo caótico e difícil para uma sociedade cujos ideais políticos sejam a perfeição moral, a bondade e a felicidade para todos. Talvez um dos mais importantes tratados que definiu o Estado moderno como o conhecemos, o livreto ainda causa polêmicas e é mal interpretado por alguns. Por outro lado, é o livro de cabeceira de todos os que alcançaram o poder nos últimos 500 anos, sejam reis, ditadores ou presidentes de repúblicas democráticas. Hoje, a obra é analisada meticulosamente em cursos de liderança para a carreira política, empresarial e militar.

"O homem que quiser ser bom em todos os aspectos terminará arruinado entre tantos que não são bons. Por isso é preciso que o príncipe aprenda, caso queira manter-se no poder, a não ser bom e a valer-se disso segundo a necessidade. (...) Pois com pouquíssimos atos exemplares ele se mostrará mais piedoso que aqueles que, por excesso de piedade, permitem uma série de desordens seguidas de assassínios e roubos."

Escrito em 1513, "O Príncipe" trata-se de uma carta de conselhos a Lourenço II de Médici (1492–1519), Duque de uma província italiana em uma época em que a Itália encontrava-se totalmente dividida. É importante conhecer o contexto e os motivos que levaram Maquiavel a escrever declarações tão fortes, desprovidas de moral ou de senso de humanidade. Maquiavel desejava a unificação da Itália, bem como um bom cargo na alta aristocracia, caso Médici conseguisse conquistar a região com seus conselhos, o que não aconteceu. Assim, conquistar e governar um reino nas condições caóticas em que a Itália se encontrava necessitava de atitudes rígidas, temíveis e astutas, ou, em outras palavras, necessitava que os fins justificassem os meios.

"A ofensa que se faz ao homem deve ser tal que não se possa temer vingança."

Existe uma teoria - não comprovada - de que Maquiavel tenha escrito "O Príncipe" como uma sátira ao poder monárquico, já que ele possui outros escritos defendendo a política democrática. Olhando por este ângulo, chega a ser "malignamente engraçado" a forma que Maquiavel pinta o quadro do príncipe perfeito: um agente sem alma, uma entidade que ignora os conceitos de "bem" e "mal" e simplesmente deve fazer o necessário para manter-se no poder, prosperar sua nação e expandir seus territórios. Mas, caso não seja sátira - o que é provável - aqui o autor rompe com as interpretações filosóficas da Grécia antiga sobre os fundamentos da boa política, cujos objetivos eram a "felicidade" e o "bem comum". Além disso, Maquiavel acaba com tradições religiosas sobre as quais acreditava-se que os ciclos no poder decorriam da determinação divina ou eram provenientes do "direito divino".

No decorrer do livro Maquiavel recorre a inúmeros exemplos históricos - desde os imperadores da antiguidade até os reis europeus de sua época - para mostrar como de fato funciona o jogo do poder e quais são as regras para se ganhar este jogo. Para ele, não adianta o governante ser utópico, cheio de teorias políticas bonitas, pacíficas e inocentes. O jogo do poder é selvagem, uma terra de ninguém, um lugar desumano. Por isso, Maquiavel trata da política não como ela deveria ser, mas como ela é. Assim, seus conselhos - não ao pé da letra, mas adaptados de forma racional ao contexto de cada época e lugar - podem ser úteis para o bom funcionamento de qualquer Governo, seja ele uma monarquia, república ou ditadura.

"É melhor ser amado ou temido? Todos gostariam de ser ambas as coisas; porém, como é difícil conciliá-las é bem mais seguro ser temido que amado... pois os homens são ingratos, volúveis, fingidos e dissimulados, avessos ao perigo, ávidos de ganhos."

Em suma, concordando ou não com as idéias de Maquiavel, "O Príncipe" é um livro obrigatório para entendermos como realmente funciona o poder político no mundo. Aconselho a ler a edição da Ediora Penguin Companhia das Letras (capa da imagem no topo do artigo), que, além de ter uma tradução atual e fácil, conta também com um excelente prefácio do ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso e um apêndice sobre cada personagem e fato histórico mencionado pelo autor. Evitem ler edições com tradução muito antiga.

E você, já leu "O Príncipe"? Comente abaixo sobre esta polêmica e importante obra!
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PS: mais alguns conselhos maquiavélicos extraídos do livro:

"O mais importante é abster-se dos bens alheios, pois os homens se esquecem com maior rapidez da morte de um pai que da perda do patrimônio."

"Um soberano prudente não pode nem deve manter sua palavra quando isto se reverta contra ele e já não existam os motivos que o levaram a empenhá-la."

"Nunca houve um príncipe que desarmasse seus súditos; ao contrário, quando os encontrou desarmados, sempre os armou; isso porque, ao armá-los, tais armas se tornam suas."

"O desejo de conquista é coisa realmente natural e comum e os homens que podem satisfazê-lo serão louvados sempre e nunca recriminados. Mas não o podendo, e querendo fazê-lo de qualquer modo, aí estão em erro, e merecem censura."

"Quem cria o poder de outrem se arruína, porque tal poder se origina da astúcia ou da força, e ambas são suspeitas a quem se tornou poderoso."

"Jamais se deve deixar que um distúrbio se alastre a fim de evitar uma guerra, porque a guerra é inevitável, e postergá-la só traz vantagens ao adversário."

"A melhor fortaleza que há é não ser odiado pelo povo."

"E quando for imprescindível agir contra o sangue de alguém, que o faça por uma justificativa sólida e um motivo evidente."

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